Uma casa pequena com um grande aquário
O jardim era a parte da casa que mais a agradava. Nele havia roseiras, gerânios em vasinhos decorados por ela, orquídeas e lírios brancos. Mas estes, tão delicados, ficavam no lado coberto do jardim, porque suas flores não se abriam quando havia muito sol ou muita chuva, e numa cidade tão bipolar como a deles, para se ter lírios no jardim deve-se tomar algumas precauções. Dentre as flores, os lírios eram seus favoritos, não por sua simbologia ou sua aparência, mas por seu perfume. A avó sempre dizia que os lírios têm o perfume de Deus, e embora ela não compartilhasse de tal opinião, era inegável o fato de os lírios serem as flores mais cheirosas do jardim. Além disso, os lírios não exalavam seu perfume espontaneamente, tal qual a maioria das outras flores, mas bastava que se agitassem levemente ao sabor do vento para que o jardim se preenchesse com aquele perfume tão amado por sua dona.
O aquário ficava dentro da casa, na sala de estar. Ocupava uma posição de destaque e tinha virados para si poltronas e um sofá, tal qual uma televisão (porém muito mais cheio de vida). Tinha dimensões consideráveis, e era o que mais agradava-o em toda a casa. Havia nele um verdadeiro ecossistema: Cerca de 40 peixes de várias espécies, que conviviam em harmonia entre si. Alguns chegavam a 10 centímetros, outros possuíam apenas 2. Pequenos camarões, que nadavam num bailar trôpego agitando suas patinhas (ou no “samba-do-crioulo-doido”, como dizia a diarista). Cinco moluscos de cores vibrantes, arrastando-se pelo fundo do aquário ou pelos vidros (Estes sempre faziam-na torcer o nariz, embora adorasse suas cores. E ele ria, principalmente quando ela chamava-os de “caramujos”, fazendo uma careta de asco que era, no mínimo, cômica – assemelhava-se ao baiacu-anão que tinham no aquário, quando inflava-se). Dois dos moluscos, de espécie diferente dos outros três, davam um espetáculo à parte: Quando a bomba e o filtro eram desligados e o aquário ficava parado, eles conseguiam arrastar-se na tensão superficial da água, ou seja, de ponta cabeça na superfície. Às vezes, chegado do trabalho, ele sentava-se em sua poltrona favorita e ficava observando o doce bailar dos peixes e demais animais ali contidos, e era como se ele mesmo penetrasse no aquário, sentindo-se envolvido por aquela quietude, lembrando-se da sensação agradável de estar submerso. Então, ela chegava suavemente (tinha aquela mania de andar descalça), sentava-se no braço da poltrona e ficavam os dois a observar o aquário.
E era só disso que eles precisavam para ser felizes.
Esse texto não faz sentido algum
Veja, combinar não quer dizer ser igual, pensar igual. Existe uma blusa de uma cor, e uma calça dessa mesma cor, e eles têm cores iguais, mas não combinam. Ninguém sai por aí monocromático.
Eles combinam porque são diferentes, mas se dão bem, há uma harmonia entre eles. Retomando, vocês combinam. Não há um código de conduta ou algo do tipo que diga que TEM QUE COMBINAR, mas quando combina... Ah, é tão melhor. Ainda mais quando combina assim, perfeitamente.
Mas aí então vocês se afastam, por diversos motivos. Um deles é que a própria natureza dos dois é solitária, coisa intrínseca mesmo. Não dá pra mudar. Passa um tempo. Vocês se reaproximam. Mas aí então, PÁ, uma bofetada. A pessoa mudou. É assim que a gente se sente, como se tivesse levado uma bofetada (Ou pelo menos do jeito que eu acho que eu me sentiria se um dia levasse uma bofetada). Daí você se pergunta: "Cadê meu par, aquela pessoa ímpar que não me pertencia, mas eu tinha?". Aquela pessoa não existe mais. E a sensação que isso traz, ah...
Nada, só queria dizer que é muito ruim, mesmo.
Não ao bairrismo religioso.
Sou espírita, mas sempre respeitei as outras religiões. Qualquer forma de buscar proximidade com o divino é válida. Não concordo com vários dogmas de algumas religiões com as quais cheguei a ter contato, mas sempre respeitei e achei saudável, pois apesar de suas contradições, todas elas pregam o amor e o bem. Por esses motivos, não sou de tentar “converter” ninguém. Até evito falar sobre a minha religião, reservando minhas opiniões para aqueles que a pedem ou compartilham dela.

Cada um pode ter a própria religião e achá-la a melhor do mundo, mas não tem o direito de tentar impor sua religiosidade a ninguém. O respeito à diversidade é indispensável nesse campo tão delicado que é a fé, e se ele existisse em maior quantidade, milhares de pessoas não seriam mortas em guerras santas. Por isso, crianças e crianços, vamos nos respeitar.
Correntes e a fé.
Eu gosto de receber correntes e coisas do tipo. Não acredito, mas há quem acredite, né? Fé é uma coisa extraordinária. Não só fé em Deus, mas fé que vai passar no vestibular, fé que seu time vai subir de divisão, fé que aquela receita super complicada que ninguém nunca acerta, dessa vez vai virar um prato delicioso. E eu, que sou de poucas crenças, me delicio e invejo aqueles que têm fé. Em que? É o de menos, o importante é ter.
PROCURA-SE

Acabei de perceber que meu livro preferido do Caio F. não se encontra na estante! Como é um livro difícil de achar, vou acreditar que alguém me pediu emprestado, e se pediu...
(Não que eu seja egoísta, mas esse livro tem valor sentimental, sabe como é)
P.s.¹: Alguém percebeu que eu tô postando nos últimos 10 minutos de julho, só pra não ficar um mês todo sem postar? Ein ein ein? Acho que a desculpa da falta de tempo não vai colar em mês de férias, néam...
P.s.²: Graças à famigerada gripe suína, ganhei uma semana a mais de férias.
P.s.³: Eu ainda não decidi se devo ou não me preocupar com a possibilidade de pegar o atchim do porco. Será que andar com máscaras vai virar moda?
Algumas impressões sobre a 1º de Dezembro
Com a vida corrida de vestibulanda, uma das alterações na minha rotina foi a falta de tempo para praticar exercícios, o que me incomodou muito. Doeu no coração ter que sair da dança do ventre... Da academia eu não gostava muito, então até fiquei feliz.
Não querendo virar sedentária, comecei a correr na 1º de dezembro sempre que dava, mais ou menos duas vezes por semana. No começo eu achava um saco, porque não tinha as pessoas de sempre da academia pra ficar batendo papo, mas com o tempo, descobri o quão fantástico aquele lugar é. Meu lado antropóloga se delicia observando os tipos que se exercitam (ou não) por lá.
O primeiro (e meu preferido), é um sexagenário obeso que eu carinhosamente apelidei de "Tio Ursão". Ele sempre senta no mesmo banco e fica placidamente olhando as pessoas passando, com aquele ar sereno de quem já viveu tudo de bom que a vida tinha a oferecer. Eu até pararia pra conversar com ele, mas tem tanto velho tarado por aí, vai que ele me sequestra (sem trema, porque aqui no canetas&palavras, somos atuais), me estupra e me esquarteja? Acontece, né...
Há também o "pigmeu". Diferente das outras pessoas, que eu só vejo esporadicamente, o pigmeu corre por aquelas bandas religiosamente. Ganhou esse apelido por ser baixinho, entroncadinho e ter as pernas curtíssimas. Justamente por ter as pernas curtas, eu consigo acompanhar o ritmo dele, o que é ótimo, porque eu sempre acabo me perdendo em pensamentos e perdendo o ritmo da corrida. Com o pigmeu à minha frente, eu não perco o ritmo por osmose. Inclusive, acho que ele já percebeu que eu tenho mania de segui-lo, porque vira e mexe ele olha pra trás, com uma cara meio desconfiada. Acho que ele pensa que eu sou algum tipo de psicopata-perseguidora juvenil.
E finalmente, o cabeludo. Ele fica fazendo flexões e similares nos espaços construídos para isso no meio da pista. E é um GATO. Um dia ainda bato uma foto e mostro. O que mais me impressiona, é que segundo minha constante de atração, tamanho do cabelo e virilidade são grandezas inversamente proporcionais, e ele é a única exceção. Deve ser por causa da tatuagem de dragão que ele tem na altura do quadril, e que entra pela bermuda. (E confesso: dou aquela secada federal sempre que passo correndo por onde ele malha. Ninguém é de ferro...)
Os outros não me chamaram a atenção o suficiente pra escrever sobre eles aqui, mas há algumas observações interessantes a serem feitas:
1) Sempre tem uns 4 ou 5 casais se lambendo nos bancos ao longo da avenida. SEMPRE. Porra, galera, motel ta aí pra essas coisas.
2) Odeio quando vai UMA CARAVANA caminhar junta. Quem conhece a (agora) João Paulo II, sabe que o espaço pra passar não é lá essas coca-colas, e além dessas pessoas ocuparem todo o caminho, vão super devagar, passeando, obrigando quem está correndo a descer para a pista de ciclismo e ultrapassar PELA RUA. Um dia ainda mato todos eles.
3) Os metidos a bombados que ficam malhando naquelas paradinhas que quando eu era criança, achava que eram mini-escorrega-bundas, e mexem com qualquer ser humano que tenha 3 orifícios na região pélvica. Fala sério, duvido que se não estivessem em grupo, teriam a audácia de falar aquelas coisas que chegam a ser grosseiras.
P.s.¹: Alguém se candidata a caminhar comigo? Essas impressões são mais legais quando faladas no ato...
P.s.²: Eu nem acredito que as férias estão chegando! Voltarei a viver por um mês! (Pra no segundo semestre morrer de vez, mas enfim, deixa eu me iludir)
Sim, eu tenho a cara do Pará... (ou então: "Psicografando uma redação")
Belém poderia ser descrita como noturna, com seus bares, boates e botecos, pelo freqüentador do bar do parque ou do boteco das 11 janelas. Talvez Belém caótica, com seus engarrafamentos na Almirante Barroso e na Augusto Montenegro. Belém religiosa, a mover não somente montanhas, mas cordilheiras inteiras com a fé emanada do Círio de Nazaré. Belém dominical, com o barulho das crianças correndo pelas praças Da República e Batista Campos. Belém cinéfila, enchendo as salas do Olympa e do Líbero Luxardo. Belém histórica, ainda viva, a esgueirar-se pelas ruelas da cidade velha. Belém profana, a estender-se pela rua do Riachuelo, onde ''menininhas perdidas" aguardam por seus "Peter Pans". Belém bélica, guardada lá no fundo dos canhões enferrujados do forte do castelo. Belém da guitarrada e da roda de carimbó, do jambu e do tucupi, do cheiro e da castanha-do-pará.
Belém de muitas faces, cada uma delas formando a cidade que é várias e também uma só.

P.s.¹: Esse esboço me rendeu um 9 em redação, dá pra acreditar? Vou tentar escrever a redação da UFPA em 20 minutos também, pra ver se ganho a mesma nota.
P.s.²: Fazendo respiração boca-a-boca no blog..
Se deus ajuda quem cedo madruga...
Além do contratempo 'senha roubada', a vida de vestibulanda não tem me deixado muito tempo ocioso... Maas como o bom filho à casa materna sempre retorna, cá estou. Postando num horário que pra mim é praticamente obsceno, mas estou).
Ontem, depois de um dia particularmente difícil, cheguei do colégio 14:20, almocei e fui tirar um cochilo antes de começar a estudar. Acordei a 10 minutos. Talvez eu estivesse precisando mesmo de uma soneca de 12 horas, afinal. O fato é: se Deus realmente ajuda quem cedo madruga, hoje eu sou a primeira da fila.
Então, aproveitando-me da minha posição prioritária e acreditando que, devido ao horário, as linhas telefônicas celestiais brasileiras não estariam congestionadas e eu teria total atenção da parte do ouvinte, resolvi bater um papo com o divino.
Depois de narrar a deus todos os problemas de minha humilde existência, veio a grande epifania: "cara... eu orei". Acho que, tirando por baixo, eu não fazia isso a uns 6 meses. O que o medo do cursinho não faz, ein.
Rapidinha
Mães são realmente paradoxais.
P.s.¹: A blogueira já tem certeza do que quer, e ela quer arquitetura. Mais especificamente a restauração de patrimônio histórico, uma grande paixão da mesma.
P.s.²: Quanto à UEPA, que não oferece arquitetura, ela ainda não tem certeza. Mas tanto faz, já que seja qual for a escolha, ela não cursará.
P.s.³: Design, talvez...
A seguir, uma paródia do vestibular que achei hilária.